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Histórias e Memórias
Desde: 30/08/2004      Publicadas: 27      Atualização: 12/12/2004

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 Entrevistas
  12/12/2004
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Bebia bastante.Bebia pinga.Eu trabalhava embriagado.
A.A. – ALCOÓLICOS ANÔNIMOS -Piracicaba.

Estiveram nos Estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba,1060 khertz , os senhores Zulu,Carlinhos e Adilson,membros dos Alcoólicos Anônimos de Piracicaba.Para mantê-los no anonimato preservamos seus nomes incógnitos,bem como a unidade a que pertencem.Foram fotografados de costas nos estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba,1060 khertz apenas para caracterizar o comparecimento dos mesmos ao Programa Piracicaba Histórias e Memórias.
PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
Produção e apresentação Jornalista e Radialista JOÃO UMBERTO NASSIF
Transmitido pela RÁDIO EDUCADORA DE PIRACICABA AM 1060KHERTZ
aos sábados das 10:00 ás 11:00 horas da manhã.
Contato com João Umberto Nassif :e-mail:joao.nassif@ig.com.br
Este programa está também transcrito no site www.teleresponde.com.br

ENTREVISTADO:
A.A. – ALCOÓLICOS ANÔNIMOS -Piracicaba.

Estiveram nos Estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba,1060 khertz , os senhores Zulu,Carlinhos e Adilson,membros dos Alcoólicos Anônimos de Piracicaba.Para mantê-los no anonimato preservamos seus nomes incógnitos,bem como a unidade a que pertencem.Foram fotografados de costas nos estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba,1060 khertz apenas para caracterizar o comparecimento dos mesmos ao Programa Piracicaba Histórias e Memórias.
A primeira bebida alcoólica de que se tem noticia foi fabricada há cerca de 6 mil anos.Egípcios,babilônicos,assírios e sumérios fabricavam cerveja há mais de quatro mil anos.Os faraós não dispensavam uma cervejinha em suas festas e reuniões.Foram os gregos e romanos que difundiram pela Europa as técnicas egípcias de produção de cerveja.Em sumério a palavra cerveja significa pão liquido,pois os ingredientes para o preparo de ambos são praticamente os mesmos.Para a maioria das pessoas normais,beber significa sociabilidade,camaradagem e uma imaginação viva.É a libertação do tédio e das preocupações.É a intimidade alegre com parentes,amigos,o sentimento de que a vida é boa.
Para quem bebe em excesso não é assim.Os antigos prazeres desaparecem.Já não existe mais recordações.Não se consegue encontrar os momentos do passado.Quanto menos são tolerados,mais se afastam da sociedade,da própria vida.A medida que se tornam súditos do Rei Álcool a solidão mais abate-se sobre eles.Na esperança de encontrar companhia e compreensão buscam-se pessoas,ambientes,que por alguns momentos oferecem essas sensações,depois vem o esquecimento total e o horrível despertar para enfrentar o terror,a confusão,a frustração e o desespero.

Hoje estamos recebendo nos estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba especialistas no assunto álcool.São pessoas que por muitos anos experimentaram os efeitos químicos de uma droga socialmente aceita.Estamos recebendo 3 pessoas, que iremos chamar apenas pelo pré nome.São eles: Zulu,Carlinhos e Adilson.São pessoas normais hoje.Não mostram as marcas do passado de pesadelo.
Iniciamos a nossa entrevista de hoje com o Zulu.Ele se apresenta: Sou o Zulu,sou um alcoólatra ,e faço parte da irmandade de Alcoólicos Anônimos.Tenho 61 anos.
Em seguida Carlinhos se apresenta:-Sou um alcoólatra,pela graça de Deus estou em A.A.(Alcoólicos Anônimos),em recuperação.Tenho 58 anos de idade.
O terceiro membro do grupo se apresenta: -Meu nome é Adilson,sou portador da doença do alcoolismo,faço parte da irmandade de Alcoólicos Anônimos.
O que é exatamente a irmandade de Alcoólicos Anônimos?
Zulu-Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas forças e esperanças com o intuito de resolver os seus problemas em comum e a ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo.Foi fundada em 10 de junho de 1935 por um corretor da Bolsa de Valores Bill W. e um cirurgião da cidade de Akron,chamado Dr.Bob,ambos alcoólatras (os alcoólicos para manter o anonimato não usam o nome completo,usam geralmente o pré nome ou algum apelido pelo qual são conhecidos). O cirurgião para operar seus pacientes tinha que ingerir bebida alcoólica antes.
Como foi o desenvolvimento dessa irmandade nos Estados Unidos?
Zulu-Antes de se conhecerem, Bill e o Dr. Bob tinham tido contato com o Grupo Oxford, uma sociedade composta, em sua maior parte,por pessoas não alcoólicas, que defendia a aplicação de valores espirituais universais na vida diária. Naquela época, os Grupos Oxford da América eram dirigidos pelo renomado clérigo episcopal Dr. Samuel Shoemaker. Sob sua influência espiritual, e com a ajuda de seu velho amigo, Ebby T., Bill havia conseguido sua sobriedade e vinha mantendo sua recuperação trabalhando com outros alcoólicos, apesar do fato de que nenhum de seus "candidatos" haver se recuperado. Entretanto, o fato de ser membro do Grupo Oxford não havia oferecido ao Dr. Bob a suficiente ajuda para alcançar a sobriedade Quando finalmente o Dr. Bob e Bill se conheceram, o encontro produziu no Dr. Bob um efeito imediato. Desta vez encontrava-se cara a cara com um companheiro alcoólico que havia conseguido deixar de beber. Bill insistia que o alcoolismo era uma doença da mente, das emoções e do corpo. Esse importantíssimo fato fora-lhe comunicado pelo Dr. William D. Silkwoth, do Hospital Towns, de Nova Iorque, instituição em que Bill fora internado várias vezes. Apesar de médico, o Dr. Bob não tivera conhecimento de que o alcoolismo era uma doença. Bob acabou convencido pelas idéias contundentes de Bill e logo alcançou sua sobriedade, e nunca mais voltou a beber.Havia um jornalista,Jack Alexander,que publicou no Jornal Washington Post em 1941 o Livro Azul de alcoólicos anônimos.A partir disso Bill foi muito procurado para dar informações sobre o programa do A.A. e desse momento em diante o A.A. cresceu no mundo.
Veio para o Brasil em que ano?
Zulu-"A história de A.A. do Brasil começa em junho de 1946, quando Herb D., que havia ficado sóbrio há um ano em Chicago - EUA, vem para o Rio de Janeiro com um contrato para trabalhar como diretor artístico de uma empresa americana de publicidade. Como era novato no programa, sua preocupação imediata foi procurar a Irmandade na cidade onde ele viveria por três anos. Alcoólicos Anônimos, entretanto, era desconhecida no Rio de Janeiro, embora Herb tivesse alguns nomes para fazer contato. Visto que nenhum desses companheiros permanecia por muito tempo no Brasil, a Irmandade ainda não havia criado raízes.
Após alguns meses de tentativas, Herb esperou pelo interesse de bebedores-problema brasileiros (e havia muitos no Rio naquela época), para ajudarem-no a manter-se sóbrio e, levando a mensagem, formarem um Grupo no Brasil. Como em todo o mundo naqueles dias, os alcoólicos no Brasil eram considerados um estorvo social dos quais o verdadeiro lugar era numa clínica psiquiátrica ou na delegacia de polícia.
Em 1947, Herb conseguiu bebedores brasileiros como ingressantes. Um desses era Antônio P., que parou de beber e manteve-se sóbrio com alguma dificuldade, em virtude da falta de literatura traduzida para o português, até sua morte num acidente em 1951. O outro brasileiro afastou-se. As reuniões aconteciam nas casas de companheiros que estavam sóbrios.
O grande apoio a Herb vinha de sua esposa, Libby, uma não-alcoólica que o incentivava muito no seu trabalho de levar a mensagem. Herb tinha uma correspondência volumosa com a Fundação do Alcoólico e conseguiu publicar alguns artigos sobre A.A. nos jornais do Rio.
No início de 1948, graças à boa vontade de um bispo episcopal que estava no Rio, Herb encontrou-se com Harold. Ele era um anglo-brasileiro com um caso de alcoolismo tido como perdido. Tinha servido o exército britânico durante a Segunda Guerra Mundial, retornando ao Rio de Janeiro em 1946. Nesse ínterim, havia perdido vários empregos, fora expulso da casa de seus sogros, perdido sua esposa e, por fim, ido morar no porão da casa de um irmão na cidade de Niterói, do outro lado da Baía da Guanabara. O bispo e o irmão de Harold arranjaram um encontro entre os dois para um sábado.
Nesse primeiro encontro, Herb contou a Harold (que havia bebido a manhã toda) a história de como tinha parado de beber substituindo, gole a gole, a bebida de seu copo por água pura, até que passasse a beber somente a água. Como, após muitas tentativas frustradas, ele tinha sido capaz de evitar encher o copo com bebida alcoólica e, assim, evitar o primeiro gole. Ele falou também sobre o plano das vinte e quatro horas, sobre a melhora em sua vida pessoal e empresarial. Por fim, Herb pediu a Harold que pusesse o sistema em prática e que, quando ele parasse de beber, tentasse traduzir o máximo possível do folheto sobre A.A. que lhe entregara. Herb havia trazido esse folheto dos Estados Unidos. Os dois combinaram encontrar-se na quarta-feira seguinte, no prédio da Associação Brasileira de Imprensa, no centro do Rio, para que Harold mostrasse os progressos tidos com a tradução.
Na data marcada Harold teve um apagamento nas primeiras horas do dia, após ter tomado aquele que seria seu último gole, usando o método sugerido por Herb. Apesar disso, naquela manhã, Harold barbeou-se, tomou banho, vestiu roupas limpas, comeu algo com a família incrédula do irmão e colocou-se a caminho - sóbrio, mas com uma terrível aparência - para encontrar-se com Herb, levando algumas páginas do que tinha traduzido. Os dois encontraram-se no salão de café do prédio e, nesse encontro, um novo período de um mês foi fixado para que Harold, sóbrio, terminasse a tradução. Herb iria mandar imprimir a versão em português. Demorou mais do que o previsto, porém no início de 1949, o panfleto estava impresso e começava a ser distribuído a todos que o solicitavam.
Em junho de 1949, quando Herb retornou aos Estados Unidos, havia um Grupo com doze membros sóbrios que se reuniam regularmente todas as segundas-feiras, à noitinha, numa pequena sala da Associação Cristã de Moços do Rio de Janeiro.
E em Piracicaba quando chegou o A.A. ?
Chegou em 28 de outubro de 1968.Foram 4 companheiros de São Paulo que trouxeram para Piracicaba.Dos quatro companheiros permanece vivo apenas um,ele mora em São Paulo.Inicialmente a sede era na Rua do Rosário na esquina com a Rua Ipiranga,na sede do CEOSP(Centro de Obras Sociais de Piracicaba).
Zulu,quando foi seu primeiro contato com o A.A.?
Logo no inicio,quando o A.A. chegou em Piracicaba eu era gerente de operações do jornal gráfico,na Vila Resende,e recebi o convite para participar de uma reunião no A.A.,só que eu achei que podia beber um pouco mais.Eu não fui a reunião.Alguns anos depois,esse mesmo companheiro me abordou dentro do Estádio de Futebol,foi ai então que entrei pela primeira vez no grupo.
Zulu você bebia muito?
Bebia bastante.Bebia pinga.Eu trabalhava embriagado.Eu era muito requisitado para trabalhar.Tenho o registro em minha carteira profissional como Redator Gráfico.Dentro da gráfica eu faço tudo.E faço a redação também.Talvez por isso tenha tido esse apreço dos patrões.
Carlinhos, qual é a diferença entre alcoólicos e alcoólatra ?
Temos como conceito de que alcoólatra é aquele que ainda está usando a bebida.Aqui em Piracicaba temos por costume nas reuniões nos identificarmos dizendo por exemplo,meu nome é Carlinhos,sou alcoólatra,mas hoje sou um alcoólico em recuperação,sou um Alcoólico Anônimo.Tive essa Graça de Deus,de há 13 anos chegar no A.A.Costumo dizer nas reuniões que foi um privilégio que Deus me deu por que muitos não tiveram essa chance que eu tive.Não deu tempo.Não chegaram.Muitos tiveram,não acreditaram,foram embora,o castigo foi certo,adoeceram e morreram.Temos que levar adiante essa dádiva recebida.Considero um presente ao completarmos 36 anos do A.A. em Piracicaba ,neste mês de outubro, receber esse convite para estarmos aqui na Rádio Educadora.Isso não é coisa que acontece por acaso.Isso vem de algum lugar.Temos a nossa programação de fazermos nesse mês de outubro uma pequena divulgação sobre os 36 anos do A.A. em Piracicaba.Os 12 passos do A.A.são princípios espirituais que faz com que o bebedor problema se torne integro.Feliz.Útil.É um processo de reformulação.Aquele Carlinhos que chegou a 13 anos no A.A.está morto!
Carlinhos,você tem idéia por que a pessoa começa a beber?
Ë uma pré disposição.É uma alergia física associada com uma obsessão mental.Eu entrei em contato com a bebida alcoólica como as minhas irmãs entraram, numa confraternização,num Natal,mas em mim manifestou essa sede!Ainda menino,minha mãe me conta eu não me recordo,eu era o neto muito querido do meu nono(avô para os descendentes de italianos)colocava-me no colo,ele pegava a garrafa de vinho da marca Castelo,eu gostava de ouvir aquele PUM! Do abrir a garrafa,e provavelmente meu nono me deu bebida alcoólica.Acho que ali eu entrei em contato com a bebida.Me lembro dos Natais,eu era menino,quando todos estavam lá preocupados com alguma coisa eu estava preocupado em tomar meio copo de cerveja.Quando eu tomei 1 copo me senti vitorioso!Devia ter nessa época uns 10 anos de idade.
Quando você disse: -Não posso mais controlar essa situação!
Eu não percebi.Eu tive uma infância como todos tiveram,uma juventude maravilhosa,estudei,joguei futebol,toquei na Banda Marcial da Escola Industrial.Tive um casamento que foi embora(separação da esposa),duas crianças maravilhosas que eu não vi,não percebi.Minha esposa dizia:-Você é um alcoólatra!Isso doía muito.Eu tinha depressão,tinha angustia,tinha medo,mas o álcool era o meu tudo.
Carlinhos,você se lembra de alguma situação que não gostaria de ter vivido?
Hoje nós somos vitoriosos.A passagem que me marcou muito foi o apagamento.É uma amnésia alcoólica.Eu tomava todas e saia para a noite.Eu iniciei meu trabalho em uma serralharia.Comecei menino,fui cortar ferrinho,fiquei admirando o soldador,ele me ensinou a soldar,fui líder de equipe de serralharia,líder de equipe da pinturaria,fui chefe de secção,eu fui,eu fui, eu fui...Até que um dia um amigo me convidou para ser propagandista de laboratório.Fui e me tornei um bom profissional,fui convidado para a supervisão,hoje sou aposentado,mas ainda mexendo com vendas.O apagamento é uma coisa muito séria.Em uma noite eu sai com um talão de cheque,aconteceu tudo que tinha que acontecer,o Rei Álcool tomando conta.Na segunda feira quando fui voltar para a atividade de cidadão,verifiquei 3 canhotos do talão de cheques em branco.Me deu desespero.Quando o telefone tocava me dava arrepio.Num desses dias era um funcionário do banco me convidado a ir até a agência.As pernas bambearam.Mas não era nada grave.Era uma assinatura incorreta.Até hoje não me recordei para quem foi,o valor que foi e como foi.Graças a um Deus Amantíssimo o cheque era pequenininho.Eu perdi o controle.Eu perdi o domínio.(Nesse momento a emoção toma conta do estúdio ).
Adilson quando você descobriu que gostava de consumir álcool?
Eu tenho hoje 34 anos de idade.Comecei muito cedo na ativa do alcoolismo.Creio que deveria ter cerca de 7 anos de idade quando iniciei o contato com o álcool.Cervejinha um golinho! Molhar a boca.Final de ano,festas de aniversários,sempre tinha aquele golinho especial para criança.O finzinho do copo.O alcoolismo é uma doença progressiva.Aos 10 anos de idade estava tendo meu primeiro coma alcoólico.A reação da minha família era de susto ao me ver embriagado.Mas era normal dentro da família o consumo de álcool.Isso já acontecia com os mais velhos, não deixaria de acontecer comigo que estava chegando,iniciando.Eu tomava os meus porres e no outro dia escutava alguma coisa da minha mãe,meu pai ficava com a cara amarrada comigo,mas quando eu tinha a próxima oportunidade era outro porre.Depois dos 10 anos de idade eu não deixei passar nenhuma festa sem que eu ficasse de fogo!Meu pai também bebia.Minha mãe não.Quando ia estudar no colégio ia muito mais para me divertir.Aos 18 anos,quando entrei no colégio eu já chorava devido ao alcoolismo,chorava pela minha própria situação.Era gostoso beber, tinha momentos agradáveis,momentos divertidos, momentos de distração,mas eram curtos esses momentos dentro das bebedeiras.Esse momento era muito curto.Era meia hora ,uma hora de diversão,de curtição,logo depois passava a ser doença,insanidade.Conheci os Alcoólicos Anônimos quando eu tinha 20 anos de idade.Eu já estava mentalmente bem acabado.Fisicamente ainda jogava bola,estudava,trabalhava,tinha carteira de trabalho assinada,trabalhei em escritório,trabalhei como almoxarife,depois comecei a fazer bico,já não tinha mais carteira assinada.Trabalhei de servente,pintor.Aos 20 anos de idade fui convidado para ir a uma festa era em um sábado,eu estava ainda de ressaca da sexta feira ,a festa era as 16:30 horas.Pensei:-Vou ficar lindão!Engraxei os sapatos para ir a festa.Era uma festa de Alcoólicos Anônimos!Era uma festa de aniversário do grupo.Fiquei decepcionado.Ali é eu admiti a minha impotência diante do álcool.Descobri que era o portador de uma doença.Eu não era mais o bardinho(baldinho)cheio,eu já não era o caninha,já não era o pé de cana.Ali eu vim a saber que eu era um alcoólatra.Admiti a minha impotência diante do álcool ,mas não admiti a minha derrota.Eu ainda tinha 20 anos de idade,ainda estudava,jogava futebol,nadava,estava com a cabeça bem deturpada,confusa,doente,mas o físico ainda agüentava.O único requisito para se tornar membro de Alcoólicos Anônimos é o desejo de parar de beber.Dizemos que se você quiser beber o problema é seu,se quiser parar de beber o problema é nosso.O grupo adota esse companheiro.O alcoólico vive muito do mundo externo.Ele não se respeita.Ele não se valoriza.O que existe na realidade é medo e orgulho.Essa presunção de que está tudo bem.O medo de parar de beber é muito grande.Como será se eu deixar a bebida?Não terei mais diversão.Aos 23 anos de idade fui a São José do Rio Preto tomar uma vacina para parar de beber.Uns 20 dias depois estava tomando um golinho de cachaça e quase morri.Começou a disparar tudo,avermelhar tudo.Aos 25 anos de idade fui ao médico e descobri que estava com inicio de cirrose.Aos 26 anos fui para uma chácara de recuperação.Fiquei 2 meses lá.Sai, fiquei 4 meses freqüentando o A.A.Voltei a beber já com comprimidos de diazepam,ao invés de acalmar o diazepam acelerou,fiquei excitado,passei a tomar diazepam com vodkca daquelas bem baratas.Acabei com 3 caixas de diazepam em uma semana.De 94 quilos passei a pesar 70 quilos.Não comia.Só bebia.Aos 29 anos estava entrando no Sanatório Cesário Motta.Os médicos diziam que eu tinha uns 15 ou 20 dias de vida,metade do meu fígado estava tomado pela cirrose.
Zulu,você na fase ativa do alcoolismo ingeria grandes quantidades de bebida.Qual foi a galonagem de bebidas que você chegou a ingerir nessa época?
Por volta de 1986, um garrafão de pinga não estava durando dois dias para mim.
Zulu você tem um episódio que seria cômico se não fosse trágico.É um episódio em que você tinha sérias divergências com um cachorro.Como era isso?
Alcoolizado sou um problema grave para a sociedade, para a comunidade, para meus familiares, e até mesmo para os animais.Tenho o habito de dormir no chão, porque é mais fresquinho.Quando alcoolizado o corpo fica quente por causa do álcool, como não gosto de sol, deitava embaixo da cama, que é mais escurinho.O alcoólatra não gosta de luz.Quando chegava embriagado em casa o cachorro corria e ia deitar embaixo da cama para se esconder.E ficava rosnando.Eu tinha o habito de falar alto, xingar, não me recordo de ter espancado o cachorro mais deve ter acontecido alguma coisa semelhante, pontapé.Eu não me lembro, mas o cachorro lembra.Eu deitava embaixo da cama, o cachorro rosnava.Ai saia aquela briga, eu puxava ele pelo rabo, ele virava, mordia, naquela insanidade eu acabava mordendo o cachorro também.Quando acordava da coma alcoólica minha boca estava cheia de pelos.Nariz cheio de pelos.Isso aconteceu muitas vezes.
Zulu o que é o alcoolismo?Como uma pessoa pode saber se é alcoólatra?
Segundo a Organização Mundial de Saúde o alcoolismo é uma doença física,mental,emocional e ético-social.Ela é progressiva e incurável.Quando ela não mata a pessoa ela leva a pessoa a loucura.Eu passei por umas 30 internações em vários hospitais do Estado de São Paulo.Aqui no Cesário Motta umas 13 vezes,inclusive estive internado junto com o Adilson.Cheguei a mendicância.Fui mendigo em São Paulo.Fui mendigo aqui em Piracicaba por uns 3 anos.Fui resgatado mediante os 12 Passos de Alcoólicos Anônimos.São princípios que se praticados nos libertam da obsessão pelo álcool.O A.A.é um conjunto de filosofias que deu certo para mentes complicadas.
Em Piracicaba o contato pode ser feito através do telefone 3434 9879,preservando sempre o anonimato.Ainda há uma saída!Nos dias 15,16 e 17 de outubro haverá um estudo dos 12 passos no Seminário Diocesano no Bairro Nova Suíça.Nesse momento encerra-se o programa com os 3 convidados orando em um clima de muita emoção a seguinte oração:
Concedei-nos Senhor a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir uma das outras.



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